
Por: Joni Lang/Vanguarda do Oeste
No próximo domingo (25), os eleitores escolhem o presidente da República entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Quem vencer comandará o país por quatro anos, e dessa escolha dependem os rumos da economia, em que a agricultura e a pecuária pesam bastante, e também de educação, saúde, segurança e de tantas outras áreas ligadas ao governo federal.
No primeiro turno, em 4 de outubro, Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná com mais de 50% dos votos válidos, tendo como vice o empresário Edson Vasconcelos (PL), de Cascavel. O Oeste deu a Moro uma votação ampla, que, somada à das outras regiões, garantiu a definição ainda no primeiro turno. Na disputa presidencial, Flávio também foi bem na região e no Estado.
Em Marechal Cândido Rondon, Flávio teve 73,59% dos votos válidos e Lula, 20,33%. Nos municípios vizinhos, Flávio fez 83,35% em Quatro Pontes, 82,57% em Nova Santa Rosa, 80,78% em Mercedes, 77,62% em Pato Bragado e 73,16% em Entre Rios do Oeste, segundo dados oficiais do TSE.
O Sul acompanhou esse movimento. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul elegeram governadores do PL já no primeiro turno. No Senado, Santa Catarina elegeu dois nomes do PL, enquanto Paraná e Rio Grande do Sul elegeram representantes do PL e do Novo, que são do mesmo grupo.
Agora, na reta final, em Marechal Rondon o vereador Juca, a vereadora Tania Maion, outras lideranças, representantes do meio empresarial e cidadãos se mobilizam em torno da candidatura de Flávio. Na microrregião e no Oeste, políticos, candidatos eleitos e suplentes fazem o mesmo, e há movimento parecido em outras partes do Paraná. PL e PT também têm mobilizações e ações de rua em diversos municípios do país até o fim da campanha.
Mas a eleição nacional é outra conta. A Quaest divulgada na quarta-feira (21), registrada no TSE sob o número BR-08535/2026, mostra Flávio com 45% e Lula com 44% no segundo turno. O instituto ouviu 2.154 pessoas de 16 anos ou mais entre 17 e 20 de outubro, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Com essa margem, Flávio varia de 43% a 47% e Lula, de 42% a 46%. Como os intervalos se sobrepõem, o cenário é de empate técnico.
No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, cerca de 2,2 milhões de votos de diferença. Se essa tendência se mantiver, minha leitura, que é pessoal e não uma previsão, é de uma disputa bastante acirrada, que pode ser decidida por uma margem de 800 mil a 1,5 milhão de votos.
O presidente Lula sancionou, na quarta-feira (21), o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 186/2026, que prevê o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União e amplia o limite anual de faturamento da categoria. A lei integra o Prospera MEI, pacote que, segundo o governo federal, pode beneficiar 17,6 milhões de empreendedores. De acordo com a Secom, o perdão pode alcançar mais de 3,6 milhões de MEIs, com débitos que somam cerca de R$ 12,6 bilhões e valor médio de aproximadamente R$ 3,4 mil. A medida passa a valer em janeiro de 2027, com condições previstas na lei.
Sou favorável a negociar débitos, com prazo de carência e mais meses para pagar, porque o pequeno empreendedor precisa de condições para continuar trabalhando e gerando emprego. O perdão, por sua vez, pede uma discussão sobre o custo para as contas públicas e sobre se a medida se sustenta. O pacote foi anunciado e a lei sancionada na reta final da campanha, e o que interessa ao empreendedor é conhecer as regras, o alcance e os resultados na prática.
Sobre o histórico recente: o PT governou de janeiro de 2003 a 2016, quando Michel Temer (MDB) assumiu depois do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Jair Bolsonaro, eleito em 2018 pelo antigo PSL, governou de 2019 a 2022, período da pandemia de Covid-19. Foi para o PL e por pouco não conseguiu a reeleição em 2022, quando Lula venceu com Geraldo Alckmin (PSB), como vice. A dobradinha é a mesma agora.
São Paulo e Minas também pesam. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo, trabalha para ampliar os votos de Flávio no Estado, e Minas Gerais costuma ser visto como termômetro da eleição nacional, embora o resultado de um estado sozinho não decida. Moro também declarou apoio a Flávio, e a relação entre o governo do Paraná e o federal será um ponto a acompanhar a partir de janeiro.
Voto desde 1998 e nunca deixei de votar. Meu histórico é de centro-direita: já votei no extinto PFL, no PSDB, no PSL e no extinto PTB, que no município se coligava com o PFL e o DEM, e em 2024, no plano local, no PP. Para o Estado votei no PFL, PSDB e outros partidos alinhados do centro à direita, e para deputados, Senado e Presidência segui a mesma linha, com o PSDB só quando estava mais perto da direita. Acompanho a política local desde cedo, por influência do meu pai, Leocir Lang, que concorreu a vereador em 2000 e 2004 pelo PTB, e antes disso em 1988 pelo PDS. Esta é uma coluna de opinião e análise; o jornalismo diário do Vanguarda do Oeste segue com apuração própria e espaço para todos os lados.
O voto é secreto, e prefiro que cada leitor chegue às próprias conclusões. O meu critério é qual projeto tem mais condições de entregar à região e ao país a previsibilidade e a segurança para produzir, empregar e investir. O trabalho gera emprego, renda e perspectiva de vida a todos os brasileiros, e uma política que o valorize depende de um governo que dê estabilidade a quem produz.
Passada a eleição, o trabalho do Oeste continua o mesmo: produzir, empregar e cobrar de quem governar as condições para isso. O primeiro passo é comparecer à urna no domingo.
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