
Por: Joni Lang/Vanguarda do Oeste
A eleição de domingo (4) terminou para o Paraná com a definição dos eleitos, mas, em Marechal Cândido Rondon, deixou outra questão: o mapa de onde está a força eleitoral de cada grupo na cidade. Para deputado estadual, o vereador Juca (João Eduardo dos Santos) (Podemos) foi o mais votado no município, com 6.273 votos. Hussein Bakri (PSD) ficou em segundo, com 5.628, e a vereadora Tania Maion (Republicanos) em terceiro, com 3.326. Gugu Bueno (PSD) recebeu 2.332 votos e Natan Sperafico (PP), 2.021. No Estado, a ordem é outra, e é aí que a conta fica interessante.
Juca fechou o Paraná com 11.270 votos e Tania, com 6.958. Os dois ficaram como suplentes. Mais da metade da votação de Juca veio daqui, 6.273 dos 11.270, e Tania teve quase a metade de sua votação no município, 3.326 dos 6.958. Para dois vereadores de uma cidade com cerca de 60 mil habitantes e em torno de 40 mil eleitores, chegar a esses números numa disputa estadual mostra que existe uma base conquistada. O que faltou foi voto fora do município na mesma proporção.
Hussein foi reeleito com 99.700 votos no Paraná, com o apoio do grupo do prefeito Adriano Backes (PP) no município. Aqui, porém, teve menos do que em 2022, quando foi o deputado estadual mais votado da cidade, com 7.161 votos, ou 23,47% dos válidos. Agora recebeu 5.628, ou seja, 1.533 votos a menos, uma queda de cerca de 21%.
Ele está reeleito e não dá para chamar isso de derrota, mas também não dá para ignorar que o candidato apoiado pela administração perdeu votos dentro da cidade do prefeito que o apoiou. O grupo também ajudou a eleger Beto Preto (PSD), deputado federal com 177.032 votos no Estado e 864 em Marechal Rondon.
Os outros dois nomes da situação ficaram de fora. Dilceu Sperafico (PP) foi o deputado federal mais votado no município, com 3.968 votos, e fez 59.309 no Paraná. Não foi eleito, apesar da expressiva votação individual, e é a primeira vez, em toda a sua trajetória, que isso acontece. Quatro federais entraram com menos votos do que ele: Newton Bonin, com 54.935; Delegado Francischini, com 53.207; Ricardo Arruda, com 51.663; e Paulo Martins, com 44.029.
É o sistema proporcional, que depende da votação do partido e do quociente, e não apenas do desempenho individual. Natan Sperafico (PP) passou por situação parecida. Teve 2.021 votos aqui e 37.679 no Paraná, ficou como suplente e viu três eleitos com votação menor: Thiago Foltran, com 32.831; Deivid Wisley, com 31.933; e Dr. Antenor, com 30.466.
Esse é o recado que o grupo do prefeito precisa ler com cuidado. A administração elegeu dois nomes, mas viu um deles perder força dentro de casa e deixou dois aliados sem cadeira. Se quiser se manter no poder, o grupo de Adriano Backes terá que interpretar os votos de domingo e entender o que eles dizem sobre o município antes de qualquer conversa sobre candidatura. Eleger deputado com voto de fora não resolve uma eleição municipal.
Do outro lado, o ex-prefeito Marcio Rauber (União) mostrou novamente sua força. Ele e seu grupo entregaram cerca de 2,3 mil votos a Gugu Bueno em Marechal Rondon, e Gugu terminou eleito com 105.124 votos no Estado. O número local parece pequeno diante do total, mas o que conta é o resultado: um candidato apoiado por Rauber foi eleito, e isso confirma que o grupo sabe articular votos e produzir resultado.
Prova disso são os 20.345 votos de Sergio Moro (PL), governador eleito e apoiado por Rauber e sua equipe no município, diante de 5.412 de Requião Filho (PDT) e 5.207 de Sandro Alex (PSD) em Marechal Rondon.
Nos municípios vizinhos, o desenho foi diferente. Em Mercedes, Hussein teve 1.790 votos e Dilceu, 682. Em Pato Bragado, Hussein fez 1.585 e Dilceu, 1.520. Em Quatro Pontes, Hussein recebeu 221 votos e Natan, 58. Em Nova Santa Rosa, Juca foi o melhor entre os nomes citados, com 952, seguido por Natan, com 663, e Hussein, com 493.
Em Entre Rios do Oeste, Gugu teve 394, Natan 330, Hussein 273 e Juca 91, e Dilceu foi o mais votado para deputado federal, com 957. Toledo é onde Natan e Dilceu mais pesaram: Natan fez 13.849 votos para deputado estadual e Dilceu alcançou 20.676 para deputado federal, enquanto Hussein teve 2.145 e Gugu, 489.
Não existe um só Oeste político. Cada município tem suas lideranças, seus grupos e suas fidelidades, e quem vai bem em uma cidade pode passar quase despercebido na outra.
Em Marechal Rondon, o voto se dividiu entre vários nomes e nenhum grupo saiu com hegemonia. Para 2028 ainda é cedo, mas os grupos políticos já têm o que recalcular.
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